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Promessas eleitorais

Setembro 3, 2021

Promessas eleitorais

O ano de 2020 e o primeiro semestre de 2021 foram marcados de forma indelével pela pandemia Covid-19, cuja propagação ditou a tomada de medidas extraordinárias, drásticas, inéditas no nosso tempo, como o dever de recolhimento e o confinamento obrigatório, o encerramento de fronteiras e o condicionamento de todas as atividades económica, sociais e culturais. O mundo parou assustado e refém de um vírus.
Neste contexto tão difícil, entre o “regresso” à “normalidade” e o descontentamento generalizado, estamos todos na expetativa, à espera que as circunstâncias excecionais que ocorreram no último ano e meio permitam olhar de novo para o futuro com otimismo. Em crise, mas, contrariando a generalidade dos analistas e comentadores da área económica, a economia da maioria dos países do nosso contexto recupera com grande energia e dinamismo. Contradizendo as previsões mais pessimistas, Portugal e o mundo ocidental estão a promover o regresso ao crescimento.
Entretanto, e enquanto o descontentamento grassa entre os muitos que perderam com a crise avassaladora que a pandemia impôs, António Costa assume a liderança do país e aproveita, a um mês das eleições, para distribuir promessas e benesses. Mais do que “pão e bolos”, o secretário-geral do PS deu uma prova de vida, quando tantos discutem a sua sucessão, anunciando medidas do governo (no palco do partido) do IRS jovem aos 10 mil lugares em creches, de uma rede pública essencial, atrasada e determinante para o futuro e do apoio às famílias e à natalidade.
Também na Guarda se sentiu essa performance. Com atraso de meses (ou de anos), e sem subir ao palco das promessas do congresso do PS, o lançamento do concurso para a requalificação do “pavilhão 5” do Hospital Sousa Martins, por oito milhões, foi anunciado a menos de um mês das próximas eleições autárquicas. Um brinde de ouro para a candidatura de Luís Couto que os socialistas guardenses vão fazer render nas urnas. Obviamente. A saúde é a primeira das preocupações da maioria das pessoas, ainda mais num concelho envelhecido como o da Guarda e, mesmo sendo certo que, “com mais miolos”, todos iremos enaltecer o lançamento de um concurso há muito anunciado e tantas vezes adiado – ainda que “tijolos” só daqui a uns anos!
Evidentemente que com este anúncio o governo esconde o verdadeiro desiderato dos guardenses e há muito reivindicado por cidadãos, movimentos e partidos: a segunda fase do Hospital Sousa Martins, que inclui o pavilhão construído, o agora anunciado, o velho pavilhão Sousa Martins e a requalificação dos demais blocos do antigo Sanatório (onde poderá vir a ser instalada a Escola de Saúde e laboratórios).
Pelo caminho, e quando entramos no período que conta em relação às autárquicas, a candidatura independente de Sérgio Costa vai agregando descontentes, não apenas originários de um PSD dividido, mas também originários do eleitorado de um PS que não consegue sarar feridas; Chaves Monteiro continua inebriado pelo poder e pela sondagem que lhe dava maioria (em junho), sozinho ou mal-acompanhado, com uma Assembleia Municipal marcada para dia 9 onde os adversários o irão trucidar, mas com a vantagem dos créditos conquistados e a assertividade de decisões e da boa governança; e o PS continua à espera que os apoios nacionais e o “perfume” de António Costa lhe bastem para manter os votos de 2017 (o caminho de agregação intentado por Luís Couto não colheu junto dos que não perdoam as traições de Virgílio Bento, Pedro Pires e companhia). Sem antevermos o impacto eleitoral do Chega e com os demais partidos distantes da possibilidade de elegerem vereadores, a Guarda poderá tornar-se ingovernável, com um 3-2-2 no executivo, dependente de negociações e acordos.
Enquanto alguns andam entretidos a discutir as promessas de campanha, António Costa mostrou como se faz política e se lidera ao mais alto nível. Porque política é mesmo isto: ir à luta, fazer promessas, falar ao coração das pessoas, das suas necessidades e preocupações, deitar os foguetes e apanhar as canas. Num tempo em que os políticos deviam preocupar-se mais em ouvir e menos em serem ouvidos, sair à rua, estar com as pessoas, sentir o pulsar da sociedade, perceber os problemas da comunidade, ter assertividade e rumo é essencial.

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