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O futuro também passa pela Linha da Beira Baixa

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Seis meses depois da reabertura da ligação entre a Guarda e a Covilhã, fomos tentar perceber o impacto da Linha da Beira Baixa na região. E foi uma desilusão! Três quartos de hora de viagem, apeadeiros vazios, poucas pessoas, hábitos perdidos, anos de abandono que não se podem reverter em poucos meses! Mas temos de acreditar que este é um caminho longo para o futuro da região.
Seis ligações entre as duas cidades, com paragem nos apeadeiros do Barracão, Benespera ou Maçainhas, mas viajantes só sobem ou se apeiam na Guarda, Belmonte e Covilhã (no regresso). As aldeias, vazias, já não têm quem precise de comboio. Mas o pior é que as poucas pessoas que ainda vivem nestas terras perderam o hábito e escolhem quase sempre o carro para fazer as suas deslocações. E ao chegarem ao seu destino, não há transportes públicos para poderem completar os seus trajetos. Especialmente na Guarda, mas também na Covilhã. Os viajantes chegam à estação e não têm como se deslocar para o centro da cidade, para irem aos serviços, às repartições públicas, ao hospital, ao médico, ao banco… Quem recorre ao comboio para ir à Guarda ou à Covilhã ficam a pé na gare à espera de um autocarro que não aparece ou de um táxi caro de mais para dar sentido à viagem ferroviária. O maior problema da Linha da Beira Baixa, entre a Guarda e a Covilhã, é a falta de serviço de transporte coletivo urbano. Afinal, o problema é o mesmo de todas as pessoas que vivem e trabalham nas cidades do interior: têm de comprar carro para irem trabalhar porque não há transportes públicos urbanos que prestem o serviço de forma útil às pessoas – um problema gravíssimo na Guarda; um problema na Covilhã.
Quando a 2 de maio foi reaberta a ligação da Guarda à Covilhã, da linha da Beira Baixa, sabia-se que muito para além da pompa e da circunstância, esta linha foi abandonada, e até os carris foram retirados, porque o país há muito desistiu do interior, e, neste caso, até eliminou uma infraestrutura básica de comunicação. Mais do que uma desistência, foi um sinal, uma escolha política, uma decisão criminosa para distanciar a Beira Interior entre si e para matar as opções de futuro que precisavam antes de apoio e investimento. Depois de cem anos, desistir da Linha da Beira Baixa foi uma escolha fácil e barata; foi uma opção pelo fecho do interior; foi o decidir matar a Beira Interior. Numa escolha difícil, o governo de António Costa atreveu-se a recuperar a Linha da Beira Baixa. Um grande investimento no serviço público. Uma opção sem sustentabilidade económica, que vai demorar a recuperar os hábitos de utilização numa sociedade que tem no automóvel o companheiro preferido. Aldeias abandonadas que reivindicam o direito de subsistir e populações que teimam em viver isoladas, para quem o regresso do comboio de proximidade é uma réstia de esperança e o regresso da ligação ao mundo.
Porém a realidade é muito mais complicada. A realidade é a herança de dezenas de anos de abandono que não será fácil reverter e uma linha de comboio não pode mudar. Serão necessárias muitas outras opções e investimentos públicos que qualifiquem a região e permitam que a vida regresse às nossas terras. A viagem pela Linha da Beira Baixa é bonita e recomenda-se, mas o comboio só pode andar nos carris da Beira Baixa se houver mais, muito mais, do que um comboio que nos une e nos dê uma oportunidade. Serão precisos milhões de investimentos e vontade política para corrigir assimetrias e desenvolvimento regional.
É necessária uma verdadeira aposta na coesão territorial, começada como nunca por Ana Abrunhosa, mas cujos resultados não serão mensuráveis perante décadas de abandono, de desinvestimento, de desinteresse político, de incapacidade de reivindicação, de atraso e de pobreza.
A Linha da Beira Baixa reabriu há seis meses, mas, como todo o interior, precisa de gente, de oportunidades, de dinâmicas, de apoios, de investimento, de futuro. Mas a «enorme importância» para o interior, para melhorar as condições de atratividade e fixação de pessoas, como foi dito na reabertura, é uma pequena gota nas necessidades regionais. A sustentabilidade é improvável e a desilusão pode tomar conta dos decisores, mas transportar duas mil pessoas por mês entre a Guarda e a Covilhã é muito mais do que aquilo que pode parecer, é um sinal positivo que não devemos desconsiderar. Assim haja investimento estrutural na região.

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