
A União de Sindicatos da Guarda reivindicou, na passada quinta-feira, a contratação de todos os trabalhadores necessários na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, a valorização dos salários e o fim da precariedade no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A estrutura afeta à CGTP-IN realizou uma conferência de imprensa, junto ao centro de saúde de Seia, para «lembrar à tutela e às autarquias» que é preciso reforçar o SNS. «Este Governo já vai na segunda legislatura, embora com pouco mais de 15 meses, na altura anunciou que ia resolver o problema do SNS em 60 dias, mas continuamos a ter inúmeros problemas pelo país e, essencialmente, no distrito da Guarda», disse José Pedro Branquinho, coordenador da União de Sindicatos da Guarda (USG).
O sindicalista aludia aos cuidados de saúde primários, por causa da constituição de Unidades de Saúde Familiar (USF), «que reduzem o número de profissionais de saúde», e «a escassez» de médicos de medicina geral e familiar.
«O Governo insiste em alargar o modelo das parcerias público-privadas com o setor privado e o setor social, com incrementos sustentados nas tais USF tipo B e tipo C», criticou. Para José Pedro Branquinho, num distrito envelhecido, «precisamos que todos defendam o SNS, pois se já é difícil para muitas pessoas chegar a determinadas especialidades médicas, sê-lo-á muito mais se não estivermos todos atentos e mobilizados». O coordenador da União de Sindicatos da Guarda considerou fundamental continuar a investir nos cuidados de saúde primários e em todas as especialidades médicas, mas disse desconfiar «da grande dependência do dinheiro da saúde no PRR». No distrito da Guarda, «investimentos a sério não existem, o que há é uma grande dependência do dinheiro da saúde do PRR, o problema é que, até 2024, tínhamos uma taxa de execução muito baixa», apontou.
Na sua opinião, esses resultados devem-se «à falta de capacitação e de capacidade para executar o PRR, porque se estivesse a ser feito como deve ser, já devíamos estar com 60 por cento de taxa de execução». «Anunciam-se investimentos, mas continuamos a ter problemas no acesso à saúde no nosso distrito, nomeadamente as populações mais longínquas, dos concelhos de Seia, Figueira de Castelo Rodrigo e outros, onde, para terem uma consulta, essas pessoas têm que se deslocar dezenas de quilómetros», criticou José Pedro Branquinho. O dirigente sindical considerou ainda que o recente anúncio de obras em centros de saúde do distrito por parte da Unidade Local de Saúde da Guarda é uma boa notícia, mas duvida que sejam executadas «num prazo muito curto».
«Ora, isso é absolutamente necessário. No entanto, também não vale a pena investir em centros e extensões de saúde quando, depois, só têm médico uma vez por mês», contrapôs.