
Seminário Maior de Braga passa a acolher seminaristas da Guarda, Viseu, Lamego, Bragança e Braga.
A Santa Sé aprovou oficialmente os estatutos do Seminário Maior Interdiocesano de São José, uma estrutura única em Portugal que agrega a formação presbiteral das dioceses de Bragança-Miranda, Guarda, Lamego e Viseu. O anúncio foi feito na passada quinta-feira, pelos bispos das quatro dioceses envolvidas.
Para D. José Miguel Pereira, Bispo da Guarda, esta decisão é «o reconhecimento, em termos legais, de uma realidade que já tinha sido alterada há mais de uma década». A O INTERIOR, o prelado explicou que o Seminário Interdiocesano começou a ganhar forma muito antes de 2013, quando ainda havia seminários residenciais em cada diocese, mas já com partilha do percurso académico no Instituto Teológico de Viseu. «Vejo uma expressão de fraternidade de igrejas irmãs que começou ainda antes do Seminário Interdiocesano funcionar e começou quando ainda funcionavam os diferentes seminários, mas que se juntavam para estudar no Instituto Teológico de Viseu», lembrou. Com o encerramento deste instituto, os bispos optaram por aprofundar essa junção, passando a residir e a formar-se numa só comunidade. Assim nasceu, na prática, o Seminário Interdiocesano em Braga, em 2013.
O reconhecimento agora obtido por parte do Dicastério para o Clero legitima juridicamente o projeto, dotando-o de estatutos canónicos com a validade de cinco anos, em fase experimental. A nova regulamentação define a natureza, governação, percurso formativo e organização interna do seminário, cuja sede se mantém em Braga, em articulação com a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Segundo D. José Miguel Pereira, «os estatutos não alteraram na prática o que já vinha sendo vivido. Apenas reconhecem uma prática consolidada». A principal preocupação passa agora pela continuidade e sustentabilidade da estrutura, num contexto de diminuição acentuada de vocações nas dioceses envolvidas.
«Neste momento, a comunidade é mais pequena, entre 10 a 12 seminaristas. Isso traz alguns desafios porque para haver uma comunidade formativa não basta ter as pessoas juntas, é preciso uma dimensão que permita, por um lado, um treino personalizado, e, por outro, um enriquecimento plural das várias experiências e proveniências», realçou o bispo da Guarda. Contudo, este Seminário Interdiocesano não é a solução direta para a crise vocacional, assume o prelado, para quem o desafio está «no trabalho de base, nas dioceses, paróquias e comunidades locais. O combate à falta de padres precisa de uma pastoral vocacional sólida, que os presbitérios e as paróquias tenham equipas de catequese com sentido vocacional, que acompanhem crianças e jovens e os ajudem a responder às interpelações de Deus», defendeu.