Maria João Pires junta-se à contestação à mega central solar fotovoltaica Sophia - Rádio Altitude

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A pianista Maria João Pires é mais uma voz contra a instalação da central solar fotovoltaica Sophia, projetos que estão a ser fortemente contestados por autarquias do distrito de Castelo Branco, Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa e associações ambientalistas.

Para Maria João Pires, aqueles dois empreendimentos, atualmente em fase de licenciamento, são uma «ameaça» sobre «zonas sensíveis e protegidas» como o Parque Natural do Tejo Internacional, a Serra da Gardunha, áreas de RAN, REN, Rede Natura 2000 e o Geopark Naturtejo UNESCO.

Numa carta publicada nas redes sociais, a pianista manifesta a sua «inquietação profunda perante o que está a acontecer na Beira Baixa – uma região de beleza rara, silenciosa e ancestral, mas também de enorme fragilidade. Um território de montes vivos, florestas antigas e comunidades que guardam este solo com cuidado e respeito há gerações».

A artista alerta que os «megaprojetos solares» previstos avançam «não sobre “terrenos vazios”, mas sobre ecossistemas vivos e delicados: carvalhais antigos, manchas de sobreiros e azinheiras centenárias, corredores naturais de aves migratórias e zonas de alimentação de espécies protegidas”.

Na sua opinião, a necessária transição para as energias renováveis não pode ser conseguida «à custa da vida, da terra e das comunidades», porque uma transição energética que assenta na devastação de ecossistemas, na perda de solos férteis e na desflorestação «não é transição, é um retrocesso».

Maria João Pires acrescenta que os dois projetos irão traduzir-se em 70 quilómetros de Linhas de Muito Alta Tensão (LMAT) e na ocupação de «milhares de hectares contínuos entre Fundão, Penamacor, Idanha-a-Nova e Castelo Branco».

Depois das Câmaras de Penamacor e Fundão terem anunciado que vão opor-se à construção das duas centrais solares fotovoltaicas, esta quinta-feira foi a vez a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Beira Baixa emitir um parecer desfavorável ao projeto Sophia, no âmbito da consulta pública, pelos enormes impactos na comunidade e no território.

«É um projeto que tem enormes impactes na comunidade e no território da Beira Baixa», sustenta a CIM.

«A transição energética é essencial, porém, não pode servir de pretexto para decisões que desconsideram o Fundão, os fundanenses e os seus legítimos interesses», alega, por sua vez, a Câmara do Fundão, justificando que o projeto colide com o Plano Diretor Municipal (PDM).

«Defendemos a produção de energia limpa, mas defendemos também algo que para nós é inegociável: a proteção do território, da paisagem cultural, das populações e das oportunidades de futuro do concelho», realça a autarquia em comunicado enviado a O INTERIOR.

O município refere também que cerca de 22 hectares previstos para a central solar Sophia coincidem com o futuro projeto de Regadio da Gardunha Sul, obra estruturante para o futuro agrícola do concelho do Fundão.

A central solar fotovoltaica Sophia abrange os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, e representa um investimento que ronda os 590 milhões de euros e a capacidade instalada na central fotovoltaica será de 867 MWp (Megawatt pico).

A mesma contestação já tinha sido assumida pela Câmara de Penamacor após reuniões, nomeadamente, com a empresa promotora do projeto Sophia, assim como os presidentes das juntas de freguesia abrangidas.

«Desta forma, o projeto do parque solar Sophia não pode ser analisado per si sem serem considerados os diversos impactos cumulativos de mais uma eventual instalação no território», argumentou a autarquia penamacorense.

«A instalação de uma central destas dimensões levará, inevitavelmente, a uma artificialização e degradação da paisagem, comprometendo a imagem de um território que tem o selo da Carta Europeia de Turismo Sustentável “Terras do Lince” e que abrange parte da Reserva Natural da Serra da Malcata», acrescenta o município.

O projeto da central solar fotovoltaica Sophia tem sido alvo de contestação por parte da população de Penamacor, do Fundão e Castelo Branco, e já levou o PAN a pedir a sua suspensão e o PS a questionar, esta semana, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Também as associações ambientalistas Quercus, Zero e Rewilding Portugal contestam a central fotovoltaica Sophia. O empreendimento, com 900 megawatts, conta com mais de 10 mil participações na consulta pública, um recorde em Portugal nesta fase. O promotor, os britânicos Lightsource BP, pretende investir quase 600 milhões e garante estar disposto a ajustar o projeto em função das “recomendações das entidades envolvidas” e quer substituir eucaliptos por mais de 27 mil sobreiros e azinheiras.

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