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Linha da Beira Baixa: região tem «condições para criar uma rede de transportes assente na ferrovia», defendem entusiastas do comboio

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Antero Pires (à esquerda) e Samuel Inácio

O momento simbólico da junção dos carris da Linha da Beira Baixa, à saída da estação da Covilhã, que marcará a ligação dos cerca de 46 quilómetros do troço até à Guarda, poderá ocorrer nas próximas semanas. Há inclusivamente a possibilidade de contar com a presença do primeiro-ministro, António Costa, durante a deslocação à região para participar na Cimeira Ibérica, marcada para 2 de Outubro na Guarda.

A partir dessa altura as duas cidades voltarão a estar ligadas por caminho-de-ferro e as obras entrarão na fase final da electrificação da via e dos ensaios de natureza técnica até à reabertura ao serviço comercial, prevista para Janeiro.

Terá sido, de resto, a pensar nesse possível agendamento que a ligação não foi feita no passado domingo, 6 de Setembro, data em que se assinalaram os 129 anos da abertura da Linha da Beira Baixa, no percurso entre Abrantes e a Covilhã (as obras até à Guarda continuariam a decorrer e a linha só seria inaugurada na totalidade a 11 de Maio de 1893).

Mas a efeméride não passou a lado de dois dos maiores entusiastas desta linha (e activistas empenhados na reabertura do serviço interrompido em Março de 2009), que a Rádio convidou para uma conversa no próprio local onde o último metro de carril está pronto para ser colocado.

Antero Pires é engenheiro informático e gere, há 12 anos, a página “Linha da Beira Baixa”, que tem sido o ponto de encontro de uma comunidade em defesa do regresso dos comboios.

Samuel Inácio trabalha na área de  recursos humanos e mantém um portefólio fotográfico sobre a linha, sobretudo desde que se iniciaram as obras no troço Covilhã-Guarda.

Uma paixão comum pela ferrovia, que ambos assumem desde crianças e que «não se explica».

Embora a empreitada em fase de conclusão ponha fim a décadas de «injustiça», lamentam que o projecto, tal como o volume global de investimento, tenha sido reduzido em relação ao que chegou a estar planeado.

Na nova versão não houve correcções de traçado nem a supressão de todas as passagens de nível. A obra foi executava a pensar, sobretudo, no tráfego de mercadorias. E isso explica, também, que a antiga estação de Sabugal/Barracão (o nome da aldeia do concelho da Guarda onde se localiza foi pintado pelos moradores, há mais de quatro décadas), agora apeadeiro do Sabugal, não contemple uma segunda linha nem uma plataforma com dimensão que permita servir de alternativa à Guarda.

Os comboios internacionais que, pelo menos durante o encerramento da Linha da Beira Alta para obras, ou até num possível percurso definitivo, provenham de Lisboa com destino a Vilar Formoso, ao invés de seguirem pela nova Concordância das Beiras (ligação directa entre as duas linhas, a seguir ao apeadeiro do Sabugal) terão de ir à estação da Guarda e fazer manobras de inversão da posição da locomotiva. A não ser que a gare no Barracão acabe por ser a utilizada pelos passageiros da Guarda, mesmo não tendo espaço «para mais de três carruagens».

Assim, a concordância de ligação à Europa foi pensada, somente, para o tráfego de mercadorias, concluem.

Mas é no serviço de passageiros que Antero Pires e Samuel Inácio concentram a próxima fase desta luta que mantêm através das redes sociais. Há «condições para criar uma rede de transportes assente na ferrovia» que sirva convenientemente a região e vá de encontro às necessidades das populações, oferecendo à CP um potencial de mercado que se torne competitivo em relação ao transporte rodoviário.

Falam, por exemplo, de um Intercidades circular, que ligue a Lisboa à Guarda pela Linha da Beira Baixa e regresse à capital pela Linha da Beira Alta, com a oferta no sentido inverso em simultâneo. Tal serviço permitiria servir um percurso entre Castelo Branco, Coimbra e o Porto, à semelhança da automotora Covilhã-Porto que circulou na década de 80 ou, mais recentemente, do Comboio Académico.

A política da actual administração da operadora ferroviária de passageiros, que retoma ligações interrompidas e reabilita material circulante, leva a que Antero Pires e Samuel Inácio encarem com optimismo o futuro deste transporte na região.

Até pelo potencial turístico de uma linha que liga o Rio Tejo à Serra da Estrela e oferece «paisagens únicas», referem. Um percurso adequado ao uso das recuperadas carruagens Schindler, de largas janelas, que circulam na Linha do Douro.

Oiça aqui o podcast:

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