
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, participaram, esta terça-feira, no funeral de Carlos Dâmaso, antigo autarca de Vila Franca do Deão, na Guarda.
Ao contrário do que aconteceu na Covilhã, durante a manhã, onde o primeiro-ministro Luís Montenegro foi apupado pelos populares, em Vila Franca do Deão não houve protestos, nem contestação, mas muitas palmas por Carlos Dâmaso, de 43 anos, que “morreu a defender a sua aldeia”, disse o pároco local.
Entre a multidão que assistiu às cerimónias fúnebres estiveram ainda Eurico Brilhante Dias, em representação do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, o presidente da Câmara Guarda, Sérgio Costa, o autarca de Trancoso, Amílcar Salvador, Dulcineia Catarina Moura, deputada do PSD na Assembleia da República, e os candidatos à Câmara João Prata (PSD) e António Monteirinho (PS).
A ministra Maria Lúcia Amaral assistiu à missa e deixou Vila Franca do Deão logo a seguir, enquanto o Presidente da República acompanhou o cortejo fúnebre até ao cemitério. No final, Marcelo Rebelo de Sousa saiu em defesa da governante ao dizer que «nem sempre quem está em situações de sufoco é capaz de perceber a importância de responder e esclarecer» a opinião pública.
Em declarações aos jornalistas, quanto à falta de esclarecimentos da tutela sobre os problemas operacionais sentidos no combate aos incêndios este verão, Marcelo Rebelo de Sousa disse ser «natural que as pessoas queiram respostas imediatas, mas admito que quem acaba de chegar há dois meses esteja a descobrir os problemas e as respostas a dar».
E acrescentou: «Também se aprende a dar respostas», no entanto, «nem sempre quem está em situações de sufoco é capaz de perceber a importância da comunicação social e responder em conformidade», afirmou.
O chefe de Estado fez questão de lembrar que, até agora, tem tido «o cuidado de ouvir e não falar muito», porque ainda há fogos em curso no país, mas admitiu partilhar do apelo feito pelo presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, que pediu um pacto de regime contra os incêndios.
«É fundamental que todos façam o melhor em conjunto para encontrar um sistema que vá aprendendo com as lições, e já há muitas lições que podemos aprender», sublinhou, não sem antes lembrar que, nos seus mandatos, “as coisas mais dolorosas” que viveu foram a pandemia e os fogos, “em 2016, depois 2017, que foi horrível, 2018 e 2019”.