
As Câmaras da Guarda, Celorico da Beira e Manteigas assinaram na segunda-feira, na Guarda, um protocolo de colaboração para a reabilitação dos rios Mondego e Zêzere que vai implicar «mais de 10 milhões de euros» em intervenções.
A assinatura do protocolo de colaboração entre as autarquias de Celorico da Beira, Guarda e Manteigas para a elaboração do estudo prévio e do projeto de execução para submissão de candidatura ao aviso Centro 2030-2024-38 decorreu ao final da tarde, no Museu da Guarda.
A ideia é valorizar e potenciar as zonas ribeirinhas destes dois rios que nascem na Serra da Estrela. No rio Mondego, a intervenção irá desenvolver-se numa extensão de 51 quilómetros nos concelhos da Guarda e Celorico da Beira e incluirá ainda a criação de zonas de lazer, a melhoria da estrutura arbórea, a manutenção do bosque e o controlo de espécies invasoras. Já no rio Zêzere, serão reabilitados 25 quilómetros nos concelhos de Manteigas e da Guarda com o objetivo de criar um corredor ecológico, implementar medidas de mitigação da erosão e conter as espécies invasoras. «Podemos estar a falar em cerca de 10 milhões de euros ou mais no cômputo dos três municípios, porque as tempestades de fevereiro vieram agravar a situação», disse o presidente da Câmara da Guarda. Sérgio Costa acrescentou que os promotores esperam contar com «a ajuda» dos fundos comunitários para reabilitar o Zêzere e o Mondego. O objetivo é conseguir uma comparticipação de, «pelo menos 85 por cento através deste programa do Centro 2030», suportando os três municípios os restantes 15 por cento. Para Flávio Massano, presidente da Câmara de Manteigas, com este acordo os três municípios estabelecem «uma parceria para tratar um problema comum», que é tornar os rios Zêzere e Mondego «mais amigos das pessoas que vivem nestes territórios». Carlos Ascensão, autarca de Celorico da Beira, reconheceu que, atualmente, os rios estão «muito abandonados» e que é preciso cuidar deles porque «temos aqui um manancial de enriquecimento do território fantástico». O edil celoricense afirmou também que é preciso criar reservatórios de água, porque «no inverno temos muita e no verão temos muito pouca e é preciso guardá-la para termos água quando ela faltar ou escassear, como aconteceu em 2017». Também presente na sessão, José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), afirmou que «é com gosto que vejo três presidentes unidos numa causa comum», realçando a importância de preservar e reabilitar a rede hidrográfica do país.