
Faleceu esta segunda-feira, ao final do dia, o Coronel Carlos Alberto Vieira Monteiro, o último comandante militar da cidade Guarda, aos 89 anos. O funeral realizar-se-á na Vela, na próxima sexta-feira, pelas 15 horas, sendo que nesse dia deverá haver uma homenagem frente ao antigo Quartel da Guarda, pela Liga dos Combatentes.
Vieira Monteiro foi um dos militares de Abril, que em 1974 fizeram a “Revolução dos Cravos” e em 2022 foi agraciado pelo Presidente da República com a Ordem da Liberdade, sob proposta da Associação 25 de Abril.
Natural da Guarda, onde nasceu no dia de Natal de 1935, Carlos Vieira Monteiro era filho de um sapateiro e lutador antifascista, falecido puco depois, e de uma funcionária de uma das escolas primária da cidade, ambos originários da Miuzela do Côa, no município de Almeida. Na Guarda completou o liceu até ingressar na Academia Militar em 1955. Ali foi colega de curso de outros militares conhecidos a partir do 25 de Abril, como Ramalho Eanes, Jaime Neves, Melo Antunes, Vítor Alves, Loureiro dos Santos, Firmino Miguel, entre outros. Foi como oficial do quadro permanente do exército que cumpriu cinco comissões nas ex-colónias, das quais quatro na guerra colonial.
Em 1973, exercendo funções no Regimento de Infantaria 12, sediado na Guarda, esteve envolvido desde o início naquilo que veio a ser o Movimento das Forças Armadas, com muitos dos seus camaradas militares, entre eles o então capitão Augusto Monteiro Valente. Mobilizado para Moçambique em outubro desse ano, foi lá que continuou envolvido na conspiração, no Niassa, tendo, após a revolução, integrado a comissão do MFA daquela zona militar.
Foi o último militar português a sair de Vila Cabral, hoje Lichinga, trazendo com ele a bandeira nacional, depois de entregar o poder à Frelimo na sequência dos acordos de Lusaca. Colocado no comando do Batalhão de Infantaria da Guarda em abril de 1975, teve como primeira missão o assegurar as condições de segurança para a realização das primeiras eleições livres no distrito.