
A primeira adaptação coreográfica do romance “Os Maias”, de Eça de Queirós, vai subir ao palco do grande auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG), no sábado (21h30), pela Companhia Nacional de Bailado.
O espetáculo é um bailado em três atos de Fernando Duarte, «que revitaliza a narratividade na dança», adianta a produção. Esta criação original cruza a intensidade dramática desta obra-prima da literatura portuguesa com a expressividade coreográfica, «reinterpretando personagens singulares e questões intemporais pela perspetiva da ironia queirosiana». O resultado é «um exercício contemporâneo que alia tradição e inovação, projetando a dança como linguagem capaz de contar, e certamente de emocionar, como poucas outras». O bailado “Os Maias” é apresentado com orquestra e a participação do pianista António Rosado, bem como de solistas da Orquestra de Câmara Portuguesa. O elenco é constituído por mais de duas dezenas de bailarinos. Publicado em 1888, o romance de Eça de Queirós é uma crónica de costumes que retrata, com rigor fotográfico e muito humor, a sociedade lisboeta da segunda metade do século XIX. A obra vale sobretudo pela linguagem em que está escrita e pela fina ironia com que o autor define os protagonistas e apresenta as situações. «É um romance realista (e naturalista), onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprios do enredo passional». É também um pretexto para Eça de Queirós fazer uma crítica à situação decadente do país (a nível político e cultural) e à alta burguesia lisboeta oitocentista.