
Um confronto entre encarregados de educação, ocorrido no passado dia 25 de junho, no final da festa de encerramento do ano letivo da Escola Básica das Lameirinhas, na Guarda, levou à intervenção das autoridades e causou grande inquietação na comunidade escolar. O incidente, presenciado por crianças, pais e professores, envolveu agressões verbais e físicas no polidesportivo contíguo ao edifício escolar e culminou com a intervenção da Polícia de Segurança Pública (PSP).
Perante a gravidade da situação, a direção do Agrupamento de Escolas Afonso de Albuquerque, liderada por José Carvalho, reuniu, no passado dia 1, com docentes e representantes dos pais de todas as turmas. No final, num comunicado enviado a O INTERIOR, a direção escolar diz lamentar «profundamente que, num dia que deveria ter sido de festa, as crianças tenham presenciado o referido desacato entre adultos com efeito traumático nestas». No documento é esclarecido que o episódio ocorreu «no polidesportivo contíguo às instalações escolares» e que, «embora tenha sido apresentada uma queixa pela coordenadora do estabelecimento», os agrupamentos escolares «não detêm, no âmbito das suas competências, legitimidade para atuar sobre os adultos envolvidos neste episódio».
O caso foi entretanto comunicado à plataforma oficial do Ministério da Educação e está agora nas mãos das autoridades competentes. «Por considerar imprescindível a garantia de paz e tranquilidade escolar», a direção informou ainda que irá reforçar as «medidas, intransigíveis, a observar no funcionamento, abertura e encerramento das portas/ portões dos estabelecimentos do 1º CEB do Agrupamento». Assim, a partir do próximo ano letivo, essas novas regras entrarão em vigor, prevendo um controlo mais apertado no acesso aos recintos escolares por parte de adultos, especialmente em momentos de grande afluência, como festas ou atividades que envolvam a presença de famílias. O objetivo é evitar episódios semelhantes ao das Lameirinhas e garantir «um ambiente seguro» para alunos, profissionais e restante comunidade educativa.
Adicionalmente, e sempre que se considere «um contexto de risco», será solicitada a presença da “Escola Segura” da PSP nas atividades escolares que envolvam pais e encarregados de educação. A medida pretende garantir não só uma maior vigilância, mas também dissuadir «comportamentos inadequados» em contexto escolar. O Agrupamento de Escolas Afonso de Albuquerque reiterou também que vai prestar «todo o apoio psicológico e emocional que se afigure necessário à convivência harmoniosa em contexto escolar dos nossos alunos», tendo reforçado o compromisso com «o bem-estar e a segurança da comunidade escolar». No comunicado, apela-se ainda para que «os valores do respeito, empatia e cooperação continuem a nortear a convivência no nosso espaço educativo».
O episódio, que gerou a indignação de vários encarregados de educação nos dias seguintes, veio também expor tensões que, segundo testemunhos recolhidos por O INTERIOR, já se arrastariam há algum tempo. Alguns pais garantem mesmo que os conflitos entre adultos naquela escola «não são novos» e pedem maior atuação das entidades responsáveis. A resposta agora assumida pela direção do Agrupamento pretende ser um sinal de que situações semelhantes não serão toleradas e que a prioridade é garantir um regresso às aulas, em setembro, com maior segurança e serenidade para todos.