
A reorganização dos serviços municiais da Guarda foi um dos temas que gerou discussão na mais recente reunião quinzenal do executivo, que se realizou excecionalmente na sexta-feira. A proposta de modelo e regulamento foi aprovada por maioria, com os votos favoráveis da coligação Pela Guarda/ Nós Cidadãos e o PS e a abstenção da coligação PSD/CDS/IL.
No final da sessão, o presidente da autarquia disse aos jornalistas que «quando detetamos coisas que têm de ser mudadas, não devemos enfiar a cabeça na areia. Os serviços detetaram algumas incongruências que foram retificadas». Sérgio Costa acrescentou que a autarquia decidiu fazer alterações «em função da candidatura que está a ser preparada da Guarda a Capital Nacional da Cultura». Uma vez que o prazo de entrega do dossier foi adiado para dezembro, «temos mais algum tempo para juntar conteúdos e já estamos a alterar a lei orgânica do município para o futuro», justificou. Uma das preocupações essenciais tida em conta nesta reestruturação dos serviços municipais foi «não aumentar custos», acrescentou. O autarca exemplificou que, para «criar mais secções na esfera da divisão pública, com mais chefias de terceiro grau, tivemos de reduzir noutro lado para não aumentar a despesa».
A oposição dividiu-se na hora da votação. Ainda que «cético», o socialista António Monteirinho votou a favor da reestruturação dos serviços municipais. O vereador recordou que, em dezembro último, «tinha sido apresentada a reorganização dos serviços, onde foi justificada a contração de uma empresa para tal, e nove meses depois temos uma alteração». No entanto, uma vez que a reorganização também tem a ver com a candidatura da Guarda a Capital Nacional da Cultura e que, para tal, a «cultura passa para uma secção autónoma», o eleito votou a favor da proposta. Já os sociais-democratas abstiveram-se porque a mais recente reestruturação orgânica «tinha sido aprovada em fevereiro e já tinham sido feitas contratações a uma consultora [a Deloitte] para mudar o corpo técnico». Alexandra Isidro constatou que, desde 2022, já foram gastos cerca de «430 mil euros em reestruturações» na Câmara da Guarda. Além disso, a independente eleita pelo PSD considerou que a proposta apresentada pela maioria «não cumpre os objetivos daquilo que é a missão e os objetivos da Câmara, no sentido de prestar um bom serviço público aos cidadãos». Ou seja, para Alexandra Isidro, as alterações sugeridas pelo executivo «são adaptações da própria estrutura aos funcionários da Câmara, ao invés do inverso».