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O presidente da Câmara da Guarda manifesta-se incrédulo perante a entrevista do secretário de Estado da Juventude, João Paulo Rebelo, em exclusivo à Rádio [ver aqui], onde anunciou que está decidida a transformação da Pousada de Juventude em residência para estudantes. 

Álvaro Amaro garante que só teve conhecimento do desfecho através desta notícia e revela que o município continua a aguardar uma resposta do membro do Governo a questões que ficaram pendentes numa reunião ocorrida no final de Janeiro, na qual terão sido ultimados os detalhes para a assinatura do contrato de concessão da pousada à Câmara, na sequência de uma proposta que começou a ser negociada em meados de 2017 [ver notícia anterior aqui].

Concretamente, adianta o autarca, já teria sido possível introduzir uma alteração antes recusada pelo Governo [ver notícia aqui]: a de permitir a partilha da ocupação e da gestão do espaço com as associações juvenis.

Faltava acertar a dimensão e a responsabilidade da intervenção a realizar na reabilitação do edifício, após uma primeira estimativa realizada pelos serviços da Câmara [ver notícia aqui] ter apontado para um investimento nunca inferior a 450 mil euros. O gabinete do secretário de  João Paulo Rebelo terá ficado de responder, tendo logo afastado qualquer possibilidade de financiamento do Estado para as obras, diz Álvaro Amaro.

Isto já depois de outro secretário de Estado, do Ensino Superior, ter dado a entender ao presidente da Câmara que a inclusão da Pousada da Juventude da Guarda na lista de imóveis a afectar em todo o país à cobertura de necessidades de alojamento de estudantes não era definitiva, na sequência da recusa unânime dessa possibilidade pelo executivo municipal [ver notícia aqui], no que seria apoiado pelas estruturas de juventude do PS e do PSD [ver  notícias aqui e aqui] e pela Federação Distrital das Associações Juvenis [ver notícia aqui].

Mas a proposta do Governo acabaria por ser do agrado do novo presidente do Instituto Politécnico, Joaquim Brigas, como referiu numa primeira entrevista à Rádio [ver notícia aqui]. Uma posição que seria secundada pela Associação Académica [ver notícia aqui] e que levaria também o vereador do PS na Câmara, Pedro Fonseca, a mudar de opinião [ver notícia aqui], passando a apoiar a solução que semanas antes criticara.

Álvaro Amaro mantém, porém, a recusa desse cenário e critica quem aceita que a Guarda seja «obrigada a escolher» uma de duas funções para o edifício, sujeitando-se a abdicar da reabertura «de uma marca importante», numa altura em que a cidade e a região apostam no fomento do turismo.

Em relação à necessidade de alojamento para estudantes, o presidente da Câmara ressalta que «se é que existe» é localizado em segmentos específicos de carência para os quais pode haver «outras soluções», que o município tem procurado articular com a diocese. Mas «só que ajuda quem se deixa ajudar», sublinha, lembrando que mesmo a eventual deficiência da rede de transportes públicos pode ser solucionada, desde que seja formalmente apresentada pelo IPG. O que, garante, nunca aconteceu. 

Por outro lado, se o Governo pretende o envolvimento da Câmara no alargamento da oferta de alojamento para estudantes, o autarca repete o apelo que vem fazendo desde há quatro anos [ver notícia aqui]: que o Comando Distrital Operacional da Protecção Civil seja instalado no edifício devoluto da empresa Estradas de Portugal, na Dorna, libertando a antiga residência feminina na Rua António Sérgio, que está cedida pelo município ao Ministério da Administração Interna. Essa pode ser uma «solução rápida», sugere Álvaro Amaro.

O autarca deixa, ainda, um alerta ao presidente do IPG para o risco da operação que o secretário de Estado da Juventude anunciou na entrevista à Rádio. A criação de um fundo imobiliário para a gestão da residência fará com que uma das partes seja chamada a compensar eventuais desequilíbrios de rentabilidade. Essa parte «será o Politécnico», avisa.

Porém, considera que este é um problema que Joaquim Brigas não terá nos próximos anos, dada a complexidade da operação financeira que é preciso constituir e, sobretudo, a demora nas obras de recuperação do espaço. Por isso, Álvaro Amaro conclui que o IPG está a ser levado numa «falsa solução», que tem unicamente em vista o calendário eleitoral, tal como foi denunciado em 2017 [ver notícia aqui].

Também o antigo presidente do Instituto, João Raimundo [ver notícia aqui], critica a falta de planeamento na solução de um problema que começou a sentir-se há quase dois anos, quando a Guarda recebeu centenas de alunos de países de língua oficial portuguesa e deparou pela primeira vez com as carências. Foi nessa altura que o anterior presidente, Constantino Rei, colocou pela primeira vez a hipótese do uso temporário da Pousada da Juventude [ver notícia aqui].

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O antigo presidente do Instituto Politécnico, e agora director da Escola Profissional da Guarda, considera que o problema do alojamento de estudantes, de que se tem falado nos últimos meses, pode resumir-se numa frase: para ter alunos, o IPG foi aos países de língua oficial portuguesa captar duas centenas de jovens e não tratou antecipdamente de lhes garantir os indispensáveis meios de acolhimento, pelo que a Guarda tem, agora, um problema para resolver. João Raimundo foi quem lançou, no tempo em que presidiu ao Politécnico, até 1994, praticamente toda a oferta de residências que existe actualmente. Isto no  tempo em que a instituição contou com o mais elevado número de alunos. Se o alojamento então cobria a procura e agora não, algo não bate certo, conclui o antigo responsável. E não é a Pousada da Juventude que vai minorar as carências. Até porque está degradada e necessita obras demoradas e de custo avultado, afirma.

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A Pousada da Juventude da Guarda vai ser mesmo residência de estudantes do Instituto Politécnico. A confirmação foi feita à Rádio pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto. João Paulo Rebelo afirma que esta é a melhor forma de colocar fim a um impasse de sete anos. O investimento na requalificação do edifício vai ser realizado através da Fundiestamo, sociedade gestora de imóveis do Estado.

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"Música & Estórias & Memórias" é uma das actividades do serviço Educativo do Teatro Municipal da Guarda, para pessoas que frequentam centros de dia e  lares de terceira idade. Vários instrumentos simples de percussão são utilizados como  ponto de partida para a experiência. Trata-se de um encontro informal com base na música tradicional portuguesa, onde se juntam as memórias da ruralidade.

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A Altice Portugal pretende alargar a cobertura de fibra ótica gradualmente a todo o concelho da Guarda, anunciou o presidente executivo, Alexandre Fonseca, na cerimónia que assinalou o investimento feito numa freguesia rural, Casal de Cinza, onde se situa a Plataforma Logística. Para além do simbolismo de se tratar da aldeia onde vive o pai do primeiro satélite português, Carvalho Rodrigues, a prioridade teve a ver com a necessidade de dotar a nova área empresarial e industrial com novas soluções de telecomunicações. E assim será feito noutras zonas, tendo o presidente da Câmara da Guarda, Álvaro Amaro, alertado para a necessidade de investimento também no Vale do Mondego, pelo potencial de desenvolvimento turístico associado ao projecto dos Passadiços do Mondego.

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A intervenção do secretário de Estado da Energia, João Galamba, marcou a sessão de apresentação de investimentos em redes de distribuição de energia, gás e telecomunicações no concelho da Guarda, feita esta quinta-feira na Plataforma Logística. O governante acabou por "cobrar" às populações locais estas iniciativas da EDP, da Altice e da Galp: «Vão ser feitos investimentos significativos neste território e a maneira de justificar esses investimentos é os consumidores domésticos e os consumidores industriais garantirem a viabilidade destes investimentos, consumindo». Fez, assim, um apelo aos habitantes e às empresas da Guarda para que «consumam mais», pois «importa que o consumo local justifique este investimento». E não ficou por aqui. Em declarações à Rádio, no final da cerimónia, reafirmou os argumentos e afastou qualquer possibilidade de redução tarifária na energia consumida nas zonas frias do Interior. Pelo contrário, João Galamba considera que já pagamos bastante menos do que devíamos, tendo em conta que «o investimento no Interior é mais caro». O facto de haver «unidade tarifária» para todo o país já é «sinónimo de solidariedade nacional». Neste raciocínio, «o Interior tem a electricidade mais barata», ou seja, abaixo do preço real que as regiões de baixa densidade populacional e económica deviam estar a pagar. Nada de novo, na mesma pasta. Em Setembro de 2015 registávamos semelhante raciocínio nas palavras do então secretário de Estado da Energia, Bernardo Trindade [recordar aqui]. Só que o Governo de então, da coligação PSD/CDS, não tinha na orgânica uma pasta para a Valorização do Interior e era o que aplicava o memorando da Troika.

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A capacidade total das residências de estudantes do Instituto Politécnico da Guarda é, nesta altura, de cerca de 440 camas e não chega para metade das necessidades, revelou o responsáve do Serviço de Acção Social do IPG, José Afonso, durante uma intervenção na edição desta semana do Fórum Altitude. A Rádio fez assim o primeiro debate público sobre a questão do futuro da Pousada da Juventude, que o Governo quer destinar ao alojamento de alunos do ensino superior.

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