O até esta manhã director do Teatro Municipal da Guarda, demitido [ver notícia anterior aqui] pelo presidente da Câmara por convocar uma conferência de imprensa onde pretendia esclarecer o processo de contratação do espectáculo de Cristina Branco para o Dia da Cidade [na sequência da decisão tomada na sessão da passada segunda-feira], manteve, mesmo assim, o encontro com os jornalistas, no qual considerou que Álvaro Amaro não está «suficientemente informado nem acerca da importância de uma obra como esta, nem da empresa Culturguarda e muito menos da pessoa de Américo Rodrigues».

O programador cultural, que é quadro da autarquia, lamenta que o presidente da Câmara tenha o tenha encarado com «uma atitude de irrelevância total», para a qual só encontra uma explicação: «como o senhor Presidente não é da Guarda e não faz vida aqui na Guarda, não sabe da importância que eu terei tido na área da Cultura na Guarda». Só isso justificará, na sua opinião, «que me tenha tratado da forma como me tratou».

Américo Rodrigues desafia Álvaro Amaro na legalidade da decisão, ao considerar que «o senhor Presidente não me pode demitir por telefone» e que apenas o fez «para poder dizer quem manda», pois «quem nomeia e demite o director artístico é o conselho de administração». Mas aguarda pela formalização da decisão para se apresentar na Câmara, onde é funcionário. Depois «vou à secção de pessoal a dizer 'estou aqui, fui despedido dali' e, portanto, digam-me...», ironiza, ao mesmo tempo que se questiona: «não sei se o senhor Presidente sabe que eu sou funcionário da Câmara».

Sobre a conferência de imprensa, refere que se limitou a dar conhecimento ao conselho de administração. Mas reconhece que omitiu, nessa comunicação, o que anunciou no convite aos jornalistas acerca da disponibilização de documentos. Em todo o caso lembra que «sempre convoquei conferências de imprensa, desde há oito anos, e realizei-as. Faz parte das minhas atribuições». Por isso declara não entender que tenha cometido «um acto de deslealdade».

Em relação ao espectáculo de 27 de Novembro, Américo Rodrigues acusa Álvaro Amaro de não ter querido esclarecer a opinião pública, após a sessão da Câmara, «optando nalguns casos ironizar, noutros casos por evasivas e noutros por dizer que nem conhecia bem o processo». 

«Um presidente de câmara, se não sabe, deve informar-se», considera o ex-director do TMG. Mas este nem seria o caso, uma vez que «o senhor presidente da Câmara estava devidamente informado do processo e vários colaboradores dele também estavam esclarecidos acerca deste assunto».

Américo Rodrigues nega que a redução de custos com o espectáculo de Cristina Branco seja significativa, uma vez que «as despesas de alojamento e alimentação mantêm-se». A Câmara poupa apenas nos serviços que a Culturguarda lhe cobraria: «são despesas de produção, como a cedência do grande auditório, da equipa técnica, do material técnico e da divulgação». Custos que estariam contidos na diferença para os cerca de 11 mil euros contratados pela autarquia à empresa em Julho mas que não justificariam «esta confusão toda».

O programador acha que a Câmara ainda tem perdas, como a de «uma exposição na opinião pública negativa» e a «da demissão de um director artístico com oito anos». Por isso deixa o desafio para que se faça «uma análise do ponto de vista político».