Está instalada a polémica entre o Instituto Politécnico da Guarda e a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela. O IPG tornou públicas as conclusões de um estudo, segundo o qual mais de 30 por cento das famílias na área da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela vivem em situação de grave carência habitacional e até mesmo em condições indignas. Um documento que ainda não é público, não se conhecendo por isso os critérios com que foi elaborado. Era suposto o tema ter sido já abordado num seminário cerca de políticas de habitação. E foi, mas da pior maneira: com dois autarcas (de Manteigas e Gouveia) a criticarem duramente a atitude do Politécnico da Guarda. Esmeraldo Carvalhinho é presidente da Câmara de Manteigas (que terá sido, afinal, o único concelho a ser objecto de análise) e garante que a autarquia não acompanhou os trabalhos nem foi informada das conclusões. Luís Tadeu, presidente da Câmara de Gouveia e da Comunidade Intermunicipal, critica a extrapolação dos resultados (cuja credibibilidade, à partida, questiona) do mais pequeno concelho para todo o território dos 15 municípios da CIM. Esta entidade acabou mesmo por tomar posição pública, exigindo uma retratação por parte do Instituto Politécnico. Mas Joaquim Brigas, presidente do IPG, garantiu na mesma conferência que o estudo foi objectivo, recusando qualquer tentativa de condicionamento. Sublinhou que as conclusões não são para agradar a ninguém, mas também ressalvou que não é intenção do Politécnico prejudicar os municípios.

Oiça aqui: