O cabeça de lista do Partido Socialista às eleições autárquicas de 2017, e actual líder da oposição na Câmara da Guarda, Eduardo Brito, vai renunciar no final do ano ao mandato de vereador.

A decisão, comunicada ontem à noite numa reunião da comissão política concelhia do partido, foi confirmada pelo próprio à Rádio já esta manhã. Eduardo Brito não quis gravar declarações, por pretender fazer o anúncio em primeiro lugar «no local próprio»: numa reunião da Câmara e perante os outros eleitos. «É uma questão de formalismo», justificou.

O assunto já deverá ser abordado na sessão da próxima segunda-feira mas renúncia apenas será oficial no último encontro de 2019 do executivo municipal, presumivelmente a 23 de Dezembro. «Ano novo, vida nova» é o sentido com que o veredor quer revestir politicamente a saída, de modo a deixar «o caminho totalmente livre» ao PS para que prepare «novos protagonistas» tanto para a reorganização interna (será escolhida uma nova concelhia no início de 2020) como, e principalmente, para o próximo desafio eleitoral autárquico, em 2021.

Eduardo Brito não quis que a continuidade como primeiro vereador gerasse qualquer tipo de dúvidas acerca de uma intervenção política que não quer voltar a ter no concelho da Guarda. Até porque sente que «a minha missão está cumprida»: em 2017 veio «estancar» o que podia ter sido um resultado ainda pior do Partido Socialista para a Câmara da Guarda (quando ninguém mais se disponibilizou para concorrer contra o então recandidato pelo PSD, Álvaro Amaro) e desde então sente que «também dei o meu contributo» para as vitórias, primeiro nas Europeias de Maio do corrente ano e depois nas Legislativas de Outubro. Na linha, aliás, do que já tinha referido à Rádio [ver notícia anterior aqui], quando recordou o «caminho das pedras» que teve de percorrer praticamente sozinho em 2017.

Garante também que tomou a decisão da renúncia há mais de um mês e que nada tem a ver com factos políticos actuais nem com polémicas à volta de nomeações para Secretaria de Estado da Acção Social, que será instalada na Guarda. Para o vereador este «é um não assunto» pelo que «nada tenho a dizer acerca de decisões que são da exclusiva competência da senhora secretária de Estado».

O importante, a partir de agora, é «olhar para o futuro» sem «perguntar às pessoas de onde vêm», esperando o ainda vereador que todos os intervenientes saibam «potenciar o facto de o PS ter entrado finalmente no ciclo de vitórias» e com a Guarda a ter condições para «assumir um peso político que nunca teve e pelo qual lutámos», refere, remetendo mais declarações para depois da reunião do executivo municipal da próxima segunda-feira.

Com a saída de Eduardo Brito, a liderança da oposição na Câmara ficará a cargo da vereadora Ana Cristina Correia, que também assumiu funções após a renúncia de Pedro Fonseca em Julho, na sequência do chumbo pela comissão política distrital do PS da lista de candidatos a deputados que o então presidente da federação distrital propusera [recordar notícias aqui, aqui e aqui]. 

Manuela Simões, professora no Instituto Politécnico da Guarda, é o nome que se segue na lista de candidatos a vereadores sufragada em 2017.