Pedro Fonseca e Olga Marques são os dois primeiros nomes que a federação distrital do Partido Socialista vai indicar como candidatos a deputados pelo círculo da Guarda às eleições do próximo dia 6 de Outubro. O presidente da estrutura vai propor-se, ele próprio, como nome elegível, primeiro ao secretariado da federação e depois à comissão política distrital, tentando a validação da proposta que depois submeterá aos órgãos nacionais. 

A palavra final acerca da composição e da ordenação das listas de candidatos por cada distrito caberá ao secretário-geral, António Costa, que é também quem escolhe o primeiro nome e pode ainda definir, para cada círculo, a inclusão de uma figura ao abrigo da chamada "quota nacional": normalmente, e a confirmar-se, um membro do Governo que após a eleição regresse ao executivo (no caso de o PS continuar no poder) ou alguém com peso nacional ou regional que se apresente pela primeira vez a sufrágio tendo já no horizonte, também, um ministério ou uma secretaria de Estado.

Ana Mendes Godinho, actual secretária de Estado do Turismo (com ligações familiares ao concelho de Vila Nova de Foz Côa), ou a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, Ana Abrunhosa (que é natural da Mêda), são hipóteses que têm sido admitidas para integrar, ou mesmo encabeçar, a lista do PS pela Guarda.

Aos órgãos distritais do partido cabe aceitar essa prerrogativa do líder nacional. Por isso, a lista a enviar para o Largo do Rato refere o primeiro e segundo nomes mas estes são, na prática, o segundo e o terceiro. Nenhuma estrutura federativa admite expressamente a inclusão de um “paraquedista”, mas todas sabem que essa é a prática comum no partido e que depende unicamente da vontade do núcleo mais próximo de António Costa.

Assim, Pedro Fonseca, que nas últimas legislativas, em 2015, foi o cabeça de lista do PAN pelo distrito [recordar aqui], depois de ter integrado a candidatura independente de Virgílio Bento à Câmara da Guarda em 2013 (que seria afastada após pedido de impugnação apresentado pelo PS), procura agora salvaguardar um lugar elegível pelo Partido Socialista, no qual se filiou em 2016 e onde viria a protagonizar uma meteórica ascensão, desde a candidatura em número 2 na lista à Câmara em 2017 [recordar aqui] até à corrida para a presidência de federação, poucos meses depois [recordar aqui], na qual se tornou líder dos socialistas do distrito, para surpresa de muitos [recordar aqui] e após uma segunda volta disputada com Alexandre Lote.

Para trás ficara, no primeiro sufrágio, o terceiro candidato, José Luís Cabral. Mas o apoio do antigo vice-presidente da Câmara de Celorico da Beira seria determinante na segunda chamada às urnas [recordar aqui]. E esse facto explica a inclusão, agora, de Olga Marques como o nome que vai ser proposto imediatamente a seguir ao de Pedro Fonseca para a lista de candidatos a deputados. A antiga presidente das Mulheres Socialistas no distrito é casada com José Luís Cabral e é irmã de José Albano Marques, o homem forte do PS em Celorico da Beira e ex-líder da federação. 

Os votos daquela concelhia ajudaram, em grande parte, a dar a vitória de Pedro Fonseca na eleição interna. E embora seja hoje presidente da federação socialista igualmente graças à influência da estrutura de outro concelho importante, o de Seia (que indicaria, aliás, Carlos Filipe Camelo para a presidência da comissão política federativa), prevaleceu aquela que é, há mais de uma década, a linha dominante no PS distrital. Seia deverá indicar o terceiro lugar para este elenco de candidatos à Assembleia da República. Ou o quarto, se o cabeça de lista for escolhido em Lisboa.

De resto, Olga Marques já tinha ocupado o terceiro lugar na lista às legislativas em 2015, atrás de Santinho Pacheco e Maria Antónia Almeida Santos. Só depois, na quarta posição, surgiria o militante que meses depois seria presidente da federação, António Saraiva.

Pedro Fonseca chegou a afirmar que não concorria à federação para chegar a deputado [recordar aqui]. Mas as circunstâncias alteraram-se. E o principal argumento do terceiro mais jovem presidente na história de federação da Guarda do PS (depois de António José Seguro e de José Albano Marques, que chegaram ao cargo com menos idade) prende-se, precisamente, com o rejuvenescimento da lista. Mas também com o recentrar da afirmação do partido na capital do distrito, onde é militante e vereador na Câmara. E com a necessidade da recuperação da influência política da Guarda junto do PS nacional, para o que será adequado que o presidente da federação seja, ao mesmo tempo, deputado e tenha acesso aos centros do poder. Por último, mas não menos importante, a conjuntura política que se vive no concelho, após a saída de Álvaro Amaro da presidência da Câmara: o número dois da oposição no executivo municipal pretende assumir um protagonismo cada vez maior, no sentido de em 2021 ou antes (porque não está afastado a hipótese de eleições intercalares) poder ser cabeça de cartaz na autárquicas, um cenário que já era de resto considerado natural até por analistas políticos [recordar aqui]. Para tal aposta na oposição assumidamente mais agressiva na Câmara, procurando desestabilizar politicamente a maioria e em especial o presidente Carlos Chaves Monteiro, e na visibilidade acrescida que o lugar de deputado lhe daria.

É com estas e outras alegações que Pedro Fonseca pretende conseguir fazer passar o próprio nome e o de Olga Marques tanto no secretariado como na comissão política de federação, que reúnem nas próximas semanas para votar a lista. Agora com três lugares apenas na Assembleia da República ao alcance dos candidatos pelo círculo da Guarda, o líder socialista entende que está ao alcance do PS, com esta lista e com o élan de vitória a nível nacional, ganhar e eleger dois deputados, deixando o PSD reduzido a um representante.

Para isso vai também apelar à união e pedir aos críticos internos que se contenham, em nome de um bem maior: o sucesso do PS no distrito e o início do caminho para a reconquista da Câmara da Guarda.