A intervenção do secretário de Estado da Energia, João Galamba, marcou a sessão de apresentação de investimentos em redes de distribuição de energia, gás e telecomunicações no concelho da Guarda, feita esta quinta-feira na Plataforma Logística. O governante acabou por "cobrar" às populações locais estas iniciativas da EDP, da Altice e da Galp: «Vão ser feitos investimentos significativos neste território e a maneira de justificar esses investimentos é os consumidores domésticos e os consumidores industriais garantirem a viabilidade destes investimentos, consumindo». Fez, assim, um apelo aos habitantes e às empresas da Guarda para que «consumam mais», pois «importa que o consumo local justifique este investimento». E não ficou por aqui. Em declarações à Rádio, no final da cerimónia, reafirmou os argumentos e afastou qualquer possibilidade de redução tarifária na energia consumida nas zonas frias do Interior. Pelo contrário, João Galamba considera que já pagamos bastante menos do que devíamos, tendo em conta que «o investimento no Interior é mais caro». O facto de haver «unidade tarifária» para todo o país já é «sinónimo de solidariedade nacional». Neste raciocínio, «o Interior tem a electricidade mais barata», ou seja, abaixo do preço real que as regiões de baixa densidade populacional e económica deviam estar a pagar. Nada de novo, na mesma pasta. Em Setembro de 2015 registávamos semelhante raciocínio nas palavras do então secretário de Estado da Energia, Bernardo Trindade [recordar aqui]. Só que o Governo de então, da coligação PSD/CDS, não tinha na orgânica uma pasta para a Valorização do Interior e era o que aplicava o memorando da Troika.

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