O líder da bancada do Partido Socialista na Assembleia Municipal da Guarda vai suspender o mandato, para já pelo período de meio ano. Joaquim Carreira comunicou a decisão no início da semana, numa reunião do grupo parlamentar com a concelhia do PS, e de algum modo adiantou-se àquele que seria um dos pontos da ordem de trabalhos do encontro, marcado para preparar a rentrée política: precisamente o futuro da liderança da bancada, tendo em conta a vontade da concelhia de delinear uma nova estratégia que passe por concentrar no presidente, Agostinho Gonçalves, a condução dos trabalhos enquanto líder do maior partido da oposição também na Assembleia Municipal. O cabeça de lista nas últimas eleições (e vereador na Câmara nos quatro anos anteriores) suspende a intervenção política e na Primavera deverá ponderar se há condições políticas para retomar as funções e assumir novo protagonismo. A candidatura à Assembleia Municipal em 2017 acabou por ser resposta a um apelo de Eduardo Brito, depois de numa primeira fase ter decidido afastar-se, ao recusar - após longa reflexão - ser o candidato à Câmara. A disponibilidade existiu mas não foi atendida pelo PS enquanto se colocava o cenário da saída de Álvaro Amaro para uma candidatura em Coimbra, que tornaria mais fácil a reconquista da autarquia guardense pelos socialistas. Nessa altura eram vários os interessados. O partido só pressionou o arquitecto a avançar quando ficou confirmada a recandidatura do presidente da Câmara. Curiosamente, a estrutura partidária perante a qual acabou por assumir esta semana o afastamento das funções na Assembleia Municipal é constituída também por novos militantes que entraram no PS por proposta de Joaquim Carreira. Dois anos de história política que recordamos com recurso ao arquivo sonoro da Rádio.

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