Vai haver segunda volta para a presidência da federação distrital do Partido Socialista.

Numas eleições muito participadas (votaram 1.333 dos 1.666 militantes com as quotas em dia, 80% do total, com apenas 9 votos em branco e 10 nulos), nenhum candidato conseguiu mais de metade dos votos, para ter sido ontem declarado vencedor absoluto.

Nesta primeira volta, a candidatura de Alexandre Lote foi a mais votada, com 37 por cento dos votos (499) e a de Pedro Fonseca a segunda, com 34 por cento (448 votos). José Luís Cabral ficou em terceiro lugar, com um total de 368 votos, correspondentes a 28 por cento.

Na concelhia da Guarda ganhou Pedro Fonseca, com 251 votos. Alexandre Lote teve 91 votos e José Luís Cabral conseguiu 17.

As maiores taxas de participação aconteceram em Fornos de Algodres (98 por cento), na Mêda (91 por cento), em Aguiar da Beira (88 por cento), em Trancoso (85 por cento) e em Gouveia (83 por Cento).  Na Guarda, em Seia e em Celorico da Beira a adesão foi de 80 por cento. As mais baixas aconteceram em Manteigas (67 por cento) e em Vila Nova de Foz Coa (66 por cento).

Nas reações, o vencedor distrital desta primeira volta, Alexandre Lote, destacou a forma como todo o processo decorreu. E Pedro Fonseca passou de imediato ao elogio a José Luís Cabral, que na prática decidirá o resultado do próximo dia 22, com o eventual apoio expresso a um dos candidatos.

Para o congresso distrital de 24 de Março, em Figueira de Castelo Rodrigo, Alexandre Lote elegeu 52 delegados, Pedro Fonseca 47 e José Luís Cabral 39.

A concelhia da Guarda estará representada por 28 delegados de Pedro Fonseca e 10 de Alexandre Lote, uma vez que José Luís Cabral não apresentou lista.

Joaquim Carreira é quem encabeça a lista por Pedro Fonseca, logo a seguir ao candidato à federação. Isto apesar dos embaraços que o antigo vereador e candidato à Assembleia Municipal causou durante a campanha para as autárquicas, e da demarcação que o próprio Pedro Fonseca foi assumindo a partir de certa altura (com críticas à postura e às intervenções públicas do arquitecto).

Acabou por pesar o facto de Joaquim Carreira ter sido o proponente formal da maior parte dos mais de 200 novos filiados que entraram no PS a partir do Verão de 2016, incluindo do próprio Pedro Fonseca, que permitiram a este chegar, em tão pouco tempo, a candidato ao órgão máximo do partido no distrito.

Tudo está em aberto para a segunda volta. Na concelhia da Guarda, os 17 votos que José Luís Cabral teve enquanto candidato a presidente da federação penderam mais para Alexandre Lote na eleição do congresso, tendo o vereador da Câmara de Fornos de Algodres subido de 91 para 100 votos, enquanto Pedro Fonseca passou de 251 para 256.

Porém, pesará no resultado final a influência da estrutura partidária de Celorico da Beira, dominada por José Albano Marques – com quem Pedro Fonseca construiu uma boa relação desde que entrou, há menos de dois anos, para o PS.

A tentativa de aproximação a José Luís Cabral ficou patente nas primeiras declarações. E houve outros sinais, ontem à noite, na sede distrital do partido: por exemplo, quando António Carlos Santos chamou Pedro Fonseca para uma sala, onde se mantiveram durante alguns minutos.

António Carlos Santos é um dos militantes mais próximos de José Albano Marques (e a quem a ficou a dever-se, em grande parte, a eleição para os oito anos de mandatos do antigo presidente da federação) e pode agora a tornar-se essencial na tentativa de vitória de Pedro Fonseca.

Ontem foi também eleita a candidata única à presidência do departamento federativo das mulheres socialistas, Marisa Santos.

Oiça aqui: