O cabeça de lista do PAN (Pessoas, Animais e Natureza) pelo círculo da Guarda nas eleições legislativas de 2015 poderá ser uma das grandes apostas de Eduardo Brito para a equipa que o PS candidatará à Câmara da Guarda.

A Rádio sabe que o nome de Pedro Fonseca é nesta altura uma forte possibilidade para ir em número dois na lista de candidatos, numa composição que terá em conta vários factores: renovação, abertura à sociedade e gestão do período pós-autárquicas.

Pedro Fonseca é empresário do ramo hoteleiro na Guarda, estudou em Inglaterra e é doutorado em História pela Universidade de Coimbra. Em 2013 envolveu-se pela primeira vez na política, como independente, através da candidatura de Virgílio Bento à Câmara, onde foi um dos rostos da base de apoio jovem.

Acabaria por aderir ao PAN em 2014, dinamizando a chamada estrutura da Beira Interior Norte e encabeçando a lista pelo distrito à Assembleia da República um ano depois.

Afastou-se daquele partido em 2016, quando Joaquim Carreira o desafiou a filiar-se no PS. Foi, aliás, um dos primeiros novos militantes entre os quase 200 que entraram no partido pela mão do vereador, que acabou por não ser o candidato à Câmara.

Eduardo Brito aproveitou todo este sangue novo e tem em Pedro Fonseca, agora, um dos principais operacionais da candidatura e uma espécie de líder do grupo de apoio mais próximo.

O que a Rádio apurou, o novo militante é quem tem conduzido grande parte dos contactos para a formação de listas do PS nas freguesias e é também quem estará a organizar o núcleo duro da campanha do candidato socialista à Câmara da Guarda.

Criou-se, assim, uma relação de grande proximidade política e pessoal entre Eduardo Brito e Pedro Fonseca que poderá levar o ambientalista a ocupar a segunda posição da lista.

Além do sinal de renovação que o candidato quer dar, a inclusão de Pedro Fonseca num lugar cimeiro tem a ver também com a estratégia para depois das eleições. Num eventual cenário de derrota o PS não espera eleger menos do que os dois vereadores actuais. E assim no futuro executivo (no caso de permanecerem na oposição) os socialistas ficariam representados por dois militantes que a seguir entrarão, cada um, numa corrida interna: Eduardo Brito para a Federação Distrital; e Pedro Fonseca para a presidência da Comissão Política Concelhia da Guarda. Estará já definida uma estratégia de apoio recíproco para a qual serão fundamentais os cerca de 200 novos militantes, à cabeça dos quais se encontra o antigo rosto do PAN.

Ao levar Pedro Fonseca num lugar de destaque, Eduardo Brito quererá dar outro sinal, tentando demonstrar que alguma da base do apoio da antiga candidatura independente de Virgílio Bento também está com o Partido Socialista. Isto depois de Álvaro Amaro ter ido buscar Cidália Valbom para cabeça de lista à Assembleia Municipal e várias listas em freguesias.

Nesta estratégia, o antigo autarca de Seia procurará também candidatar em terceiro lugar uma mulher que tenha estado ligada ao movimento «A Guarda Primeiro». A Rádio sabe que o nome que tem sido mais insistentemente sondado é o de Ana Cristina Correia, voluntária social e integrante das listas independentes em 2013.

Cristina Correia tinha antes sido eleita pelo PSD para a então Junta de Freguesia de São Miguel da Guarda, nas equipas lideradas por João Prata.

A abertura a outros campos políticos e a independentes é uma das marcas que Eduardo Brito quer deixar vincadas na formação das listas do PS para as próximas autárquicas. O candidato pretende também aproximar franjas de descontentes de vários partidos (incluindo do PSD e do CDS) e figuras que estiveram na primeira linha de alguns focos de protesto contra a acção política de Álvaro Amaro na Câmara da Guarda, nomeadamente no grupo de contestação ao corte de árvores ou a intervenções na zona urbana.

Mas não deixa de procurar manter o apoio do PS histórico, até porque em muitos destes contactos quem tem feito as primeiras abordagens tem sido a antiga presidente da Câmara, Maria do Carmo Borges, que será outro elemento-chave da candidatura de Eduardo Brito.

É difícil a gestão de equilíbrios, por vezes. Sobretudo quando não terá sido coincidência a presença de António Costa, enquanto primeiro-ministro, esta tarde no concelho [ver notícia anterior aqui], no mesmo dia em que Eduardo Brito vai anunciar que é candidato.

A sobreposição de agendas causou algum mal-estar e chegou a ser entendida como um jogo de forças entre fações do PS local e distrital.

Mas Eduardo Brito preferiu manter a conferência de imprensa para hoje à tarde, mesmo sabendo que o efeito irá em parte ser anulado pela vinda do primeiro-ministro ao lançamento da primeira pedra do futuro quartel de bombeiros de Famalicão da Serra, onde estará ao lado do presidente da Câmara (e adversário dos socialistas), Álvaro Amaro.

Difícil, no entanto, seria que António Costa vestisse a seguir o fato de secretário-geral do PS e aparecesse na sede do partido para uma simples conferência de imprensa. Por isso, e enquanto todas as partes tentam passar a ideia de que o episódio não tem importância alguma (embora várias fontes garantam que causou polémica no interior da candidatura) foi preparado um momento de meio-termo, para que o candidato não perca a face logo no dia do primeiro acto público: António Costa parará na Guarda, depois da cerimónia em Famalicão da Serra, para um encontro com Eduardo Brito. Mas não será nem na sede do PS nem à hora do anúncio da candidatura.

A presença formal do secretário-geral acontecerá na apresentação pública dos candidatos socialistas, nas próximas semanas.

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