Actualidade

Uma mulher de 38 anos é o primeiro caso, no Hospital da Guarda, de uma parturiente infetada com o coronavírus da Covid-19. Deu entrada ontem à noite no Serviço de Obstetrícia e o teste, que é realizado a todas as grávidas, deu positivo. A situação obrigou a um protocolo específico de isolamento, já previsto nos planos de contingência, conforme explicou à Rádio o médico pneumologista Luís Ferreira, da comissão de acompanhamento da Covid-19.

O parto (por cesariana programada) correu normalmente e «mãe e filho estão bem». O recém-nascido é um bebé do sexo feminino, que se encontra numa área circunscrita do Serviço de Pediatria e ao qual vão também ser feitos testes.

Luís Ferreira explica que «não há risco especial ou acrescido» pelo facto de uma grávida ser positiva na análise ao coronavírus e admite que novos casos possam sempre surgir «nestas como noutras áreas de tratamento clínico».

O importante, sublinha o médico, é passar a mensagem de que «o nosso Hospital está plenamente capacitado para o diagnóstico e para a intervenção em todas as fases da doença», até por ser, desde o início, uma das unidades de referência na região Centro.

O especialista em doenças pulmonares refere mesmo que, comparativamente, «no distrito da Guarda tem vindo a ser feito um maior número de testes», que estima em mais de 2.500 desde o início de Março. E isto graças «à excelência» e «à pronta capacidade de resposta» do Laboratório de Patologia Clínica da Unidade Local de Saúde, que serve toda a região e cujo reconhecimento foi um dos critérios para a inclusão do Hospital Sousa Martins na rede inicial de combate à Covid-19.

Esta é a valência da ULS que permite uma rápida atuação, ao nível do diagnóstico, em articulação com a rede que tem vindo a ser alargada: além do Hospital da Guarda, foram abertos dois postos de testes (um no quartel dos Bombeiros da Guarda e outro no edifício do NERGA) e quatro centros de consultas em cuidados primários que cobrem todo o distrito, havendo ainda duas unidades móveis, que realizam testes sobretudo nos lares de idosos.

Toda esta organização faz com que os dados referentes a doentes de Covid-19 na área de intervenção da ULS da Guarda (todos os concelhos do distrito a exceção de Aguiar da Beira) espelhem «a realidade da situação» com amplo rigor. O que não quer dizer, ressalva Luís Ferreira, «que nos próximos dias não possam surgir muito mais casos», até pelo facto de estarem a ser feitos testes aos lares «onde há cerca de quatro mil pessoas institucionalizadas».

Há, por isso, «uma margem de imprevisto que não nos permite fazer projeções», assinala. Mas, um mês depois de terem surgido os primeiros casos em Portugal, o número de internados no Hospital da Guarda é hoje de 34, três dos quais em cuidados intensivos. Estes casos mais graves são de pacientes idosos e com outras complicações, confirma Luís Ferreira.

 

 

Pedro Bidarra tem 45 anos, é motorista de longo curso da empresa “Olano” e viaja regularmente para Itália, o país europeu mais afectado pela pandemia do coronavírus. Casado e com dois filhos, este profissional do volante aproveita uma casa que tem na aldeia (perto da Guarda) para cumprir o necessário isolamento social, sempre que regressa do estrangeiro. Já não está com a família desde meados do mês passado. O afastamento voluntário foi decidido pelo casal, depois de ponderada a situação e calculados os riscos: ele a viajar por Itália; a mulher a trabalhar na Casa de Saúde Bento Meni. Pedro Bidarra testemunha que tem visto medo no rosto dos italianos. E acha que a personalidade e o modo de vida daquele país ajudou muito a propagar o vírus e a chegar à situação actual. Para cá e para lá, este motorista de longo curso conta que tem atravessado as fronteiras à vontade e sem qualquer controlo. Um alerta que deixa às forças de segurança, mais focadas nos veículos ligeiros. Por isso acha que em Portugal as medidas deviam ser mais duras.

Oiça aqui:

A poucos dias da Páscoa, o presidente da Câmara de Pinhel repete o apelo que já tinha feito na semana passada. É que continuam a chegar à região muitas pessoas do estrangeiro que não cumprem o período de quarentena obrigatória. A continuar assim, diz Rui Ventura, adivinham-se dias ainda mais complicados. A autarquia de Pinhel reforçou entretanto a capacidade de acolhimento instalada no Centro Logístico da cidade. Esperando que essa resposta não venha a ser necessária, Rui Ventura diz que é melhor estar preparado. O espaço conta de momento com 150 camas (para isolamento ou mesmo para tratamento de doentes) e capacidade para servir mais de 200 refeições diárias.

Oiça aqui:

 

As deslocações de cidadãos vão ser limitadas durante o período da Páscoa, confirmou o primeiro-ministro no final da reunião do Conselho de Ministros convocada para aprovar novas medidas que dão sequência ao decreto do Presidente da República que renova o estado de emergência em Portugal por mais 15 dias.

Fica assim reforçado o apelo do chefe do Governo para que a Páscoa seja passada em casa, sem viagens nem encontros familiares alargados.

António Costa anunciou que estão proibidas as deslocações para fora do concelho de residência habitual, exceto para trabalho, entre os dias 9 e 13 de abril. «A fiscalização desta norma será feita pelas forças de segurança. A violação desta norma constitui um crime de desobediência», avisou.

Durante o mesmo período estão proibidos os ajuntamentos com mais de cinco pessoas «salvo se houver laços familiares (famílias numerosas)».

Os aeroportos nacionais também serão encerrados, com exceção para voos de caráter humanitário, repatriamento e militares.

As novas regras do estado de emergência, que vai ser renovado por um período de 15 dias, preveem ainda que o transporte aéreo passa a ter limitação da lotação para um terço, como já acontecia nos transportes públicos, indicou o chefe do Executivo.

Em relação à manutenção do emprego, António Costa revelou que poderão ser requisitados mais inspetores para reforçar a Autoridade das Condições para o Trabalho, para travar despedimentos ilegais.

As decisões hoje tomadas também «reforçam a capacidade das autarquias poderem atuar», agilizando «a contração de empréstimos a curto prazo e de concessão de medidas de apoio a instituições». Para além disso, previu o Conselho de Ministros que será prorrogado o prazo «para os proprietários procederem a limpeza das matas», que terminava a 15 de abril. «O país tem enorme risco de incêndio florestal», recordou.

No domínio da saúde, todos os doentes Covid-19 irão beneficiar da «isenção de taxas moderadoras, seja na fase de diagnóstico, seja de tratamento». 

Em Manteigas já não abriu no final de Março, como estava previsto, o hotel de 4 estrelas do grupo Vila Galé. Se tudo estivesse a correr normalmente a unidade hoteleira já estaria nesta altura a funcionar, mas os acontecimentos relacionados com o coronavírus adiaram a inauguração. No mais pequeno concelho do distrito, a autarquia avançou com várias medidas preventivas de saúde pública e outras para minorar o impacto económico da pandemia, sobretudo nas famílias. Uma delas tem a ver com a redução de 50% nas facturas da água e saneamento de munícipes e empresas sediadas no concelho. O presidente da Câmara, Esmeraldo Carvalhinho, diz que é importante nesta altura transferir alguma ajuda (por pouca que se seja) para os orçamentos familiares.

Oiça aqui:

Cerca de 130 lares por onde passam mais de 4.500 pessoas, entre utentes e funcionários. É esta a realidade, na área de influência da Unidade Local de Saúde da Guarda, do sector que levanta maiores preocupações na contenção da Covid-19. Para minimizar a situação, os bombeiros da Guarda disponibilizaram à ULS uma segunda viatura para fazer testes de despistagem nos lares de idosos do distrito.

Oiça aqui:

Até agora o Hospital da Guarda tem conseguido dar resposta à afluência de doentes. São poucos os infectados que necessitam recorrer a cuidados intensivos, entre as dezenas de doentes com Covid-19 que passaram pela unidade hospitalar de referência para a recião Centro, muitos dos quais regressaram a casa. Ponto de situação feito à Rádio pelo médico pneumologista Luis Ferreira. Neste momento, o Hospital Sousa Martins já está a receber poucos casosdo distrito de Viseu que, na fase inicial da pandemia, eram em grande parte encaminhados para cá. A preocupação centra-se, agora, nos utentes e cuidadores de lares de idosos. «Estamos a viver o dia-a-dia», conclui o membro da unidade de acompanhamento da doença.

Oiça aqui: